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Êxodo Urbano: Morte e Vida das Grandes Cidades?



Há quase 60 anos atrás, a jornalista e escritora americana Jane Jacobs publicou seu livro Morte e Vidas das Grandes Cidades. Ela escreveu sobre o planejamento urbano no século XX com o dramático aumento do tráfego de automóveis e a ideologia urbanística do modernismo, que separava os usos das cidades destacando edifícios individuais autônomos, que poriam um fim ao espaço urbano e à vida da cidade, resultando em cidades sem vida, esvaziadas de pessoas.

O conceito de cidade é algo que se tornou fiel na evolução humana e é nos aglomerados que elas se manifestam. Esses aglomerados surgiram no longínquo Neolítico (entre 8 mil e 4 mil a.c.), mas só veio tomar grandes proporções com o fenômeno do Êxodo Rural, que aconteceu de forma mais intensiva na segunda metade do século XX, sempre acompanhado com a necessidade individual de combater a miséria, a fome e a sede.

Depois de muitos anos, em 2020, voltamos a falar de migração, dessa vez da cidade para o campo. Com a Pandemia, o trabalho remoto reconstruiu as economias globais e ganhou força, se tornado cada vez mais comum no Brasil e no Mundo. Diversas pesquisas já indicam que nos últimos meses houve um aumento de pelo menos 300% na busca de imóveis rurais e a tendência é que a população migre não só a moradia como talvez as empresas.

Durante o isolamento devido ao COVID-19, muitas empresas anunciaram home office, uma decisão que muito provavelmente não geraria impactos profundos no desenvolvimento de alguns setores de diversas empresas. Passado algum tempo, onde a curva de contágio foi achatando, outras ideias foram surgindo e um exemplo que me chamou atenção foi o da XP Investimentos que anunciou a saída de sua sede em São Paulo para a cidade São Roque no interior do estado, há 60km da capital.

A Villa XP seria inspirada nos escritórios do Vale do Silício, estilo o campus da Apple em Cupertino, na Califórnia (EUA), vale lembrar que, o Steve Jobs teve a ideia do Apple Park em 2006, com um projeto do Norman Foster em 2009, onde o edifício possui 13.000 vagas de estacionamento, deixando claro qual a modalidade principal de transporte a ser utilizada. Com isso, talvez não tenha sido considerado os gastos com combustíveis fósseis, aumento da emissão de CO2 e no impacto provocado com a poluição. Isso no campo atual das ideias, com as tecnologias existentes, talvez não fizesse tanto sentido. O lema usado pela XP para anunciar a mudança foi “esqueça a rotina caótica de uma grande cidade como São Paulo”.

Em outro plano, algumas empresas optaram por se mudar para bairros mais centrais reduzindo custo de aluguel, por exemplo. Essa estratégia, já é usada pelo Google, onde ocupa um prédio de 1932 em um quarteirão inteiro onde só nessa sede tem 7.000 funcionários e 280.000m².

Se por um lado, deixar os grandes centros é uma boa opção neste período de distanciamento social, imagina-se que por outro, as empresas cumprem um papel fundamental de devolver um pouco a cidade do que elas ganham.

O que não se sabe é que se com esse Êxodo Urbano, as cidades serão esvaziadas ou teremos uma dependência ainda maior do transporte individual. Muito provavelmente, algumas pessoas menos favorecidas irão morar em outras cidades por não terem transporte próprio e depender da empresa que trabalham, isso também pode fazer com que a classe mais favorecida continue morando nos grandes centros e diariamente pegue seu carro para ir até o trabalho sem se preocupar muito com o impacto dessa ação a longo prazo, afinal, ainda será nas grandes cidades que morará o entretenimento destes executivos.



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